Prejuízo dos Correios cai 5,5% no 2º trimestre, mas desafios persistem

Prejuízo dos Correios recua para R$ 2,39 bilhões no 2º trimestre de 2026, mas desafios de reestruturação e sustentabilidade continuam.

Foto de edifício sede dos Correios em Brasília, com funcionários e documentos de balanço financeiro
Foto de edifício sede dos Correios em Brasília, com funcionários e documentos de balanço financeiro

Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 5,5% em relação ao resultado negativo de R$ 2,53 bilhões no mesmo período de 2025. A redução do prejuízo, divulgada nas demonstrações financeiras da estatal no dia 29 de agosto de 2026, reflete avanços no plano de reestruturação financeira e operacional, que visa recuperar a sustentabilidade da empresa. Apesar disso, os desafios continuam, com a necessidade de reduzir custos, melhorar a qualidade dos serviços e aumentar a competitividade no mercado.

Reestruturação e financiamento em andamento

A estatal, que atravessa um processo de reestruturação, já contratou R$ 12 bilhões em empréstimos com garantia da União junto a um sindicato formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. A concessão da garantia foi condicionada à implementação de um plano de recuperação financeira. Com a publicação do balanço do segundo trimestre, espera-se que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) conclua a análise para a concessão da garantia, etapa que ainda falta para o avanço da captação. Além disso, os Correios negociam R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), banco do Brics, para financiar seu programa de modernização.

Os Correios quitaram antecipadamente um empréstimo de R$ 1,8 bilhão e alongaram o prazo da dívida de 18 para 180 meses. O saldo dos empréstimos caiu de R$ 14 bilhões para R$ 12,9 bilhões, e a compania encerrou o semestre sem financiamentos com vencimento no curto prazo. O caixa e aplicações financeiras somavam R$ 4,9 bilhões em 30 de junho.

Avanços no controle da dívida e na eficiência operacional

Na comparação com as metas internas, o Ebitda — indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — ficou R$ 910 milhões, ou 18%, melhor que o previsto. As despesas totais do semestre ficaram R$ 302 milhões abaixo do orçado. Entre o primeiro e o segundo trimestres, o resultado operacional melhorou aproximadamente 25%, e o fluxo de caixa operacional apresentou evolução de R$ 852 milhões. A estatal também destaca aumento nos pontos de atendimento e de coleta.

O Índice de Entrega no Prazo alcançou mais de 90% em junho e mais de 97% em agosto. Com destaque positivo para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que são os maiores mercados. A receita líquida de vendas e serviços atingiu R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre, ante R$ 8,1 bilhões no mesmo período de 2025. Apenas no segundo trimestre de 2026, somou R$ 4 bilhões, ante R$ 4,2 bilhões no segundo semestre do ano passado. Apesar dos avanços, os Correios reconhecem que os desafios continuam. A empresa precisa reduzir despesas de forma contínua, manter a melhora na qualidade dos serviços, avançar em mercados pouco explorados e elevar sua capacidade tecnológica e competitividade. O Tribunal de Contas da União (TCU) já fez ressalvas às estimativas que sustentam a estratégia do plano de recuperação.