Disinformação e narrativas falsas durante a crise migratória em Ceuta
A crise migratória em Ceuta revela desinformação e vídeos descontextualizados nas redes sociais.

La crise migratória em Ceuta e Melilla, no norte de Marrocos, registrou uma onda de entradas irregulares de dezenas de milhares de migrantes, principalmente jovens marroquinos, nos dias 30 e 31 de julho de 2026. A situação, que gerou grande atenção nas redes sociais, foi acompanhada por narrativas falsas e vídeos descontextualizados, que foram amplamente compartilhados por partidos de extrema-direita e outros grupos. A Lusa realizou uma verificação para esclarecer quais informações são verdadeiras e quais são desinformações.
Entradas massivas e narrativas falsas
Na manhã de quinta-feira, 30 de julho, os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla foram alvo de uma vaga de entradas irregulares de migrantes, sobretudo jovens marroquinos que nadaram em torno do espigão de El Tarajal ou saltaram as vedações. O tema rapidamente invadiu as redes sociais, com a circulação de imagens e vídeos que, em muitos casos, não correspondem à realidade. Uma das principais narrativas falsas foi a de que “nem uma única mulher” estava envolvida no episódio, uma afirmação que foi repetida por contas de partidos de extrema-direita e outros grupos.
Imagens descontextualizadas e vídeos falsos
Os vídeos que circulam nas redes sociais, como o de apedrejamento de viaturas da polícia espanhola, foram verificados e revelaram que foram gravados em Marrocos e não em Ceuta. Além disso, há vídeos antigos que estão sendo reutilizados de forma desinformadora, como imagens de uma crise migratória anterior em 2021. Também circulou um vídeo de uma comemoração religiosa na Turquia que foi atribuído a Ceuta, mas foi comprovado que não era verdadeiro.
As autoridades espanholas confirmaram que o número de imigrantes ilegais que entraram em Ceuta ultrapassou 30 mil, mas as imagens disponíveis mostram que quase todos são homens jovens em idade militar. A imprensa local e internacional, como o jornal Público e a RTVE, já confirmaram a presença de mulheres e crianças entre os migrantes. A desinformação, promovida por partidos de extrema-direita e outros grupos, está gerando confusão e polarização.
Verificação de fatos e responsabilidades
Os verificadores de fatos, como a EFE Verifica e o Newtral, confirmaram que as imagens de confrontos com a polícia espanhola foram filmadas em Marrocos e não em Ceuta. Além disso, os vídeos de apedrejamento de viaturas foram captados em estradas marroquinas e não em territórios espanhóis. A Lusa também verificou que os vídeos antigos, como os de 2021, estão sendo reutilizados de forma descontextualizada para promover narrativas falsas. Apesar da realidade da crise migratória em Ceuta e Melilla, a desinformação persiste, com a circulação de imagens e vídeos que não correspondem ao que realmente aconteceu. A Lusa e outras fontes de verificação estão trabalhando para esclarecer os fatos e combater a desinformação, que pode ter consequências graves para a imagem da região e para a segurança pública.
